sexta-feira, 5 de maio de 2017

Nero, o imperador romano insano

Ele pode até não ter incendiado Roma. Mas fez uma porção de outras atrocidades

Sugestão do TdF Samuel Guterman
Ilustra Wildner Lima
Edição Felipe van Deursen
Criado em um ambiente de intriga e ameaças, um dos tiranos mais sanguinários de Roma governou na base da loucura
FICHA CRIMINAL
NomeNero Cláudio César Augusto Germânico (37-68)
Local de atuação – Império Romano
Mortes – Mais de 5.700*
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(Wildner Lima)
1. Nero nasceu da união do cônsul Cneu Enobardo com Agripina, irmã do imperador recém-empossado, Calígula. Cneu foi acusado pelo antecessor de Calígula, Tibério, de traição, mas escapou das acusações. Ele morreu quando Nero tinha 2 anos. Agripina é suspeita de ter envenenado os dois homens com que se casaria depois
2. Após a morte de Calígula, Cláudio foi coroado imperador. Ele casou com Agripina e adotou Nero, que, assim, acabou tragado para o centro do poder. Britânico, filho de sangue de Cláudio, foi preterido na política. Nero, que era mais velho, tornou-se procônsul aos 14 anos e subiu ao trono aos 17, com a morte de Cláudio, no ano 54
3. Aqui começam as atrocidades. Alguns historiadores apontam Nero e sua mãe como os responsáveis por um suposto envenenamento do imperador. No poder, Nero continuou a postura assassina. Políticos que se opusessem ao governo eram acusados de conspiração e executados. Foi o caso de três opositores ferrenhos, Plautus, Sulla e Pallas
4. Nero se distanciou da mãe, que passou a apoiar Britânico na política. Convenientemente, no dia em que a emancipação de Britânico, então com 14 anos, foi marcada, o vinho dele foi batizado com veneno. Nero registrou a morte do oponente como um mero ataque epilético
5. A paciência de Nero com a mãe acabou. Ele tentou forjar sua morte em um acidente de barco, mas Agripina escapou. Depois, Nero encomendou o assassinato a seu tutor, Anicetos, que matou a matriarca e fez parecer suicídio. A fidelidade a Nero não serviu de nada, e Anicetos acabou banido de Roma sob a acusação de adultério
6. O imperador anulou gradativamente o poder do senado para agir como quisesse. Em casa, também aprontou. Divorciou-se da primeira esposa, Cláudia Otávia, ao acusá-la de infertilidade. Ela foi exilada e executada. Na sequência, Nero se casou com Pompeia Sabina e a matou a pontapés três anos depois
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(Wildner Lima)
7. Com uma campanha militar bem organizada, Nero reprimiu invasões do Império Parta, uma potência da Pérsia. Após sucessivas derrotas, os partas se renderam a Roma, que passou a controlar seus territórios. A paz entre Parta e Roma se manteve por mais de 50 anos, e a expansão romana reforçou a estabilidade política de Nero entre 58 e 63
8. Nero era intolerante com o cristianismo, religião que ele considerava supersticiosa e ameaçadora. Durante seu reinado, cristãos foram perseguidos, torturados e mortos. Por isso, há estudos que dizem que o número 666 é um código para se referir a Nero, que passou a ser visto por muitos cristãos ao longo dos séculos como uma encarnação do anticristo
9. Iniciado em um depósito de material inflamável no Circo Máximo, o incêndio de Roma, em 64, afetou dez dos 14 distritos romanos. O historiador romano Suetônio acusou Nero, cujo objetivo seria construir um novo complexo de palácios. Para outro historiador romano, Tácito, foram os romanos que incendiaram a cidade, ao perseguir os cristãos
10. Revoltas em territórios importantes, como a Gália, abalaram o poder de Nero. Os governadores locais se aliaram e enfrentaram a capital. As rebeliões se tornaram insustentáveis, e o governador da Hispânia se autodeclarou imperador. Sem apoio da Guarda Pretoriana, que protegia os líderes romanos, Nero tentou se matar, mas não teve coragem
QUE FIM LEVOU?Nero ordenou que seu secretário o matasse com uma lâmina, em 9 de junho de 68. Ele foi enterrado onde hoje fica o parque Villa Borghese, em Roma
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Joana D'Arc





(1412 - 1431)

Joana d'Arc era uma camponesa de Lorena, nascida na pequena aldeia de Domrémy e, a partir dos treze anos, segundo o seu testemunho, começou a ter visões nas quais São Miguel, Santa Catarina (de Alexandria) e Santa Margarida (de Antioquia) lhe apareciam, insistindo para que colaborasse na obra de libertação da França, oprimida pela ocupação dos ingleses e seus aliados borgonheses.
Joana não vacilou em procurar o capitão Baudricourt, que lhe forneceu uma pequena escolta para a viagem a Chinom (onde se encontrava o delfim Carlos, futuro Carlos VII), nem hesitou em vestir-se com roupas masculinas o que sempre foi visto com naturalidade pelos seus companheiros de armas, mas lhe valeu severas críticas dos inimigos, especialmente ingleses. Por estar freqüentemente entre os combatentes franceses, não foram poucas as vezes em que Joana foi chamada de prostituta.
Em 1429 aconteceu a famosa entrevista, onde a donzela reconheceu o delfim entre todos os homens presentes, sem nunca antes ter-lhe visto. Foi então que o convenceu a dar-lhe permissão para participar das operações que visavam levantar o cerco que os ingleses faziam a Orleans, com palavras reveladoras de uma estranha premonição: - "Só viverei pouco mais de um ano. Neste tempo, temos de realizar uma grande obra."
Carlos deu uma armadura de ferro polido a Joana. Esta pediu que, numa capela consagrada a Santa Catarina, se procurasse uma espada que devia ali estar enterrada. Levaram-lha, com efeito, coberta de ferrugem, mas uma vez na sua mão, começou a brilhar como se fosse nova. Depois mandou fazer um estandarte branco debruado a seda e salpicado de flores de lis onde figurava a imagem do Redentor.
Orleans foi libertada e, no mesmo ano de 1429, os companheiros de Joana derrotaram os ingleses na batalha de Patay. Mas a jovem não considerava a sua missão terminada. Ela desejava ver o delfim coroado em Reims, como a tradição impunha, e Paris retomada. A donzela viveu a grande emoção de assistir a coroação do rei, após a longa viagem que o levou até Reims por um trajeto que atravessava, em parte, o território dos inimigos borgonheses. Ele não havia conseguido, porém, entrar em Paris.
A tentativa de retomar a cidade, ainda em 1429, pelo exército francês, havia redundado em fracasso, e o soberano ordenou o retorno dos soldados ao Vale do Loire. Joana nunca se conformou muito com a interrupção das operações militares nem com as tentativas feitas pelos conselheiros reais de negociar a paz com os borgonheses. Assim no ano seguinte, ela seguiu para o norte, a frente de uma pequena tropa, e acabou chegando a Compiéne.
Um dia, ao tentar libertar uma ponte que se encontrava em mãos inimigas, nas redondezas da cidade, foi capturada e entregue a João de Luxemburgo, comandante da tropa borgonhesa. Este cede-a aos ingleses, que a levaram para Rouen e submeteram-na ao julgamento da Igreja. Neste julgamento tendencioso, Joana visivelmente hostil a seus inquisidores, por vezes deixava de responder às perguntas. A rebeldia de Joana não provinha da formação de seu caráter, mas da firme convicção de que as revelações obtidas através das visões não poderiam ser questionadas, pois prometera silêncio sobre muitas coisas que lhe haviam sido reveladas nas visões. Mas, das 15 sessões a que foi submetida deixou respostas célebres que atordoaram seus verdugos e passaram à história como argumentos iluminados pronunciados por alguém tão jovem e carente de ensinamentos teológicos.
Reconhecida como adversária que dificilmente se dobraria ante a erudição, a corte tentou repetidas vezes fazê-la cair em contradição através de armadilhas verbais e perguntas dúbias. Em uma das sessões, o bispo de Beauvais, Pierre Cauchon, homem astuto e ambicioso, fez-lhe esta pergunta ardilosa tentando confundi-la: "São Miguel te aparece desnudo? Prontamente ela respondeu com uma interrogação tão profunda e sutil que desconcertou seus algozes. - "Pensa que Deus não tem com que vesti-lo?" De outra feita lhe foi perguntado: "Estava ela na graça de Deus?" O ardil tornava-se evidente, dentro dos conceitos da Igreja da época: a resposta afirmativa caracterizaria a presunção e a negativa, o reconhecimento de estar em pecado. Surpreendendo a corte, Joana respondeu: "Se não estou, que Deus nela me aceite; se estou, que Deus nela me guarde." Em nenhum momento admitiu ter cometido heresias e sempre manteve que tudo quanto tinha feito respondia à vontade divina. Cada pergunta e cada resposta constaram por escrito, o que permite ouvir a sua voz através dos séculos.
Joana foi condenada. Na manhã de 30 de maio raparam-lhe a cabeça, puseram-lhe uma túnica e levaram-na para a praça do mercado de Rouen, que estava apinhada de gente. Depois que Cauchon leu a sentença, puseram-lhe na cabeça uma mitra de papel, onde se lia: "Herege, Pecadora, Apóstata, Idólatra". Pediu uma cruz e um dos arqueiros ingleses, com dois ramitos, improvisou uma, que Joana levou ao peito, enquanto outro homem corria à igreja em busca de um crucifixo, que ela beijou. Depois, na alta pilha de lenha, as chamas se ergueram e a envolveram. A sua voz chegava até à silenciosa multidão, que escutava, aterrada, as suas preces e gemidos. Por fim, num último grito de agonia de amor, Joana disse: - "Jesus".
Conta-se que um dos soldados, lançando-se entre a multidão gritou: "Estamos perdidos! Queimamos uma santa!"
Posteriormente, a Igreja que a condenou e à qual Joana sempre foi fiel, declarou-a inocente. Foi canonizada, finalmente, em 1920, na basílica de São Pedro, em Roma. Cinco séculos atrás, no entanto, houve quem soubesse que no meio deles vivia uma santa.
MOISÉS
(Século XIII a.C.)
Há séculos, algumas tribos nômades da Palestina abandonaram o solo semi-árido daquele país e foram ao Egito, fugindo da fome. Mas os egípcios escravizaram-nos. Diz a Bíblia que os submeteram com trabalhos forçados e os oprimiram com obras penosas. A opressão chegou ao auge quando governava o Egito o faraó Ramsés II, da 19ª dinastia, no século XIII antes de Cristo. Por sua ordem, os escravos construíram uma cidade que recebeu seu nome.
Moisés, salvo das águas do Nilo pela filha do faraó e por esta educado em ambiente palaciano, tornou-se o nobre que teve a ousadia de pedir ao faraó liberdade para os hebreus, visando transformar aquela gente rude em um povo coeso e livre. O faraó diante de tal rogativa, recusou libertar os escravos, pois tal mole era constituída de mão-de-obra abundante, qualificada e barata, fonte geradora de riquezas para o país embora obtidas as custas da exaustão e da morte de um povo. Moisés lança então sobre o Egito uma série de pragas que obrigariam o faraó a libertar seu povo.
Mortandade de peixes, enxames de insetos e epidemias eram flagelos que com certa periodicidade atingiam o Egito. Mas a seqüência e a extensão desses fenômenos naturais, habilmente exploradas por Moisés através da sua mediunidade premonitória, puderam ser aproveitadas como intervenção divina em prol dos escravos. E, sob a ameaça de que na última praga morreriam todos os primogênitos egípcios, foi então que o faraó concordou que Moisés os levasse para fora do país.
Para sair do Egito Moisés poderia seguir por várias trilhas em direção a Palestina, não havendo necessidade de uma travessia do Mar Vermelho. Mas, para escapar dos egípcios, que decidiram recapturar os escravos em fuga, Moisés conduziu os hebreus através de um caminho incomum, atravessando o Mar Vermelho, no momento de mar‚ baixa. Quando os egípcios chegaram, a maré alta os deteve. Bem adestrado na arte militar, ele tomou um caminho árido e pedregoso, impraticável para os carros de combate e desestimulante para a cavalaria, contingentes impróprios para o terreno e a técnica de combate imposta por Moisés. A infantaria egípcia já não seria obstáculo, pois encontrava-se distante há muitos dias de marcha.
Junto a escravos de outras origens, sob a liderança de Moisés, os hebreus penetraram no deserto rochoso que cobre a península do Sinai. A esmagadora maioria desses escravos, devido a rudeza da escravidão que retira dos espíritos fracos os anseios nobres, embora mantenha o ideal de liberdade, encontrava-se revoltada, brutalizada e reduzida à satisfação das necessidades primárias. Moisés passou a conviver com o seu povo no deserto, onde o cotidiano era as freqüentes queixas e revoltas, aliado aos rigores climáticos, fatores determinantes da fome e da sede. Nessas circunstâncias, em que o lado animal do homem prepondera, só a dor e o instinto de conservação conseguem domá-lo. Daí a severa legislação mosaica, com apelos freqüentes à pena de morte, como nos seguintes exemplos:
GÊNESIS 17:14 - "O incircunsivo que não for circuncidado, será eliminado."
ÊXODO 21:12 - "Quem ferir alguém que morra, certamente será morto."
21:17 - "Quem amaldiçoar pai ou mãe, será morto."
31:15 - "Quem fizer alguma coisa no sábado, morrer."
LEVÍTICO 3:17 - "Gordura nem sangue, jamais comereis."
7:27 - "Quem comer sangue, será morto."
20:18 - "Quem se chegar a uma mulher no período, ambos serão mortos."
24:19 - "Quem desfigurar o seu próximo, como ele fez assim lhe ser feito."
DEUTERONÔMIO 21:21 - "Um filho desobediente dever ser apedrejado até que morra."
22: 5 - "Mulher vestir traje de homem, ou vice-versa, é abominação ao Senhor."
22:21 "Mulher casada não achada virgem, deve ser apedrejada até morrer."
22:22 "Quem se chegar a mulher casada, ambos morrerão."
Como se observa, foram leis temporárias, elaboradas para determinado povo num período histórico, onde a disciplina deveria suplantar tudo mais. As práticas mediúnicas também foram abolidas dos costumes, pois, na qualidade de extraordinário médium, Moisés sabia dos malefícios que se podia esperar das sintonias mentais daquela gente. Seria necessário que toda uma geração passasse para dar lugar a uma outra, livre e sem os traumas do sofrimento e da revolta, para formar uma unidade racial, política e religiosa, com características próprias e sob a égide de um Deus único.
Por isso, 40 anos vagariam pelo deserto, até que morresse toda a geração escrava, para que só os nascidos em liberdade pudessem entrar na Terra Prometida. Foi nessas circunstâncias que aconteceram fatos que iriam influenciar a humanidade por séculos e que ainda hoje têm profundo significado.
Moisés, que sempre esteve amparado por seus guias espirituais no cumprimento da sua missão, recebeu, no Monte Sinai, os Dez Mandamentos, que mais de mil anos depois haveriam de ser reiterados pelo maior de todos os missionários: Jesus Cristo.
Não fazer nem adorar imagens e ídolos.
Não falar o nome de Deus em vão.
Não trabalhar no sábado.
Honrar pai e mãe.
Não matar.
Não cometer adultério.
Não roubar.
Não prestar falso testemunho contra o próximo.
Não desejar a mulher do próximo.
Não desejar qualquer coisa que pertença ao próximo.




É esta, e somente esta, a lei que Cristo se refere quando disse: "Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim para destruí-los, mas para dar-lhes cumprimento". Todavia, outras leis de Moisés aplicadas para regular as relações entre os homens, ainda rudes e primitivos, constituem um grande avanço para a época quando obrigam ao dono libertar seu escravo no sétimo ano de cativeiro, pagando-lhe uma parcela de riqueza que ele, escravo, gerara com seu trabalho. Instituem não apenas o respeito pela vida do próximo mas até o respeito pela liberdade alheia e pela dignidade dos pais. É uma legislação que estabelece o respeito aos bens alheios, que impõe confiança mútua, garante ao acusado justiça e ao perseguido refúgio sagrado.
Toda a vida de Moisés - seus atos, seus feitos, suas leis - é descrita nos quatro livros do Pentateuco: Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio, cuja autoria lhe é atribuída. Segundo a tradição, ele morreu aos 120 anos. Ainda pôde avistar ao longe, do alto do Monte Nebo, o objetivo do seu sonho, o alvo da sua promessa: a Terra Prometida. A sua missão estava cumprida. Assim foi a vida do grande líder do povo hebreu, do gênio militar e político, do legislador e de um dos maiores médiuns de todos os tempos.

Tutankamón

Faraón egipcio de la XVIII dinastía (?, h. 1372 - Tebas ?, 1354 a. C.). Uno de los más singulares reyes del Antiguo Egipto fue Amenofis IV o Akenatón, quien, rompiendo con tradiciones milenarias, emprendió una reforma religiosa que estableció con carácter casi monoteísta el culto a Atón, dios del Sol, movido probablemente por un afán de limitar las prerrogativas de la casta sacerdotal y concentrar el poder en torno a su persona. Esta tentativa de reforma (que lo llevó a adoptar el nombre de Akenatón, «el que es grato a Atón») sobrevivió apenas a su propio reinado, y aparte de su reflejo en un arte más realista y creativo, no hizo sino abrir un periodo de inestabilidad.

Máscara de Tutankamón
Durante mucho tiempo se supuso que Akenatón falleció sin dejar hijos varones, razón por la que le sucedieron sus yernos: en primer lugar, Semenkera, y tras su corto reinado, el jovencísimo Tutankamón, que accedió al trono hacia el año 1360 a. C. Investigaciones recientes basadas en el examen del ADN sugieren, sin embargo, que Tutankamón era hijo del mismo Akenatón, aunque no de su esposa Nefertiti. Hasta la muerte de Akenatón, Tutankamón llevó el nombre de Tutankatón, en honor del dios solar Atón.


Tres años después de acceder al trono, Tutankamón restableció el culto tradicional y, consiguientemente, el poderío de los sacerdotes de Amón, seriamente debilitado en el reinado de Akenatón. Al mismo tiempo, devolvió la capitalidad a Tebas, abandonando la capital creada por el faraón hereje en Amarna; y, como simbólica ratificación de estos cambios, sustituyó su propio nombre por el de Tutankamón (que significa «la viva imagen de Amón»). El reinado de Tutankamón no tuvo otro significado que este restablecimiento del orden tradicional del Egipto faraónico, bajo la influencia de los sacerdotes y generales conservadores. Llamado el faraón niño por la temprana edad en que asumió el trono, Tutankamón murió cuando sólo contaba 18 años y llevaba seis de reinado, probablemente en un motín palaciego.
Tutankamón debe su fama a que su tumba fue la única sepultura del Valle de los Reyes que llegó sin saquear hasta la edad contemporánea; su descubrimiento por Howard Carter en 1922 constituyó un acontecimiento arqueológico mundial, mostrando el esplendor y la riqueza de las tumbas reales y sacando a la luz valiosas informaciones sobre la época.
La tumba de Tutankamón
En comparación con las de otros faraones, la tumba de Tutankamón es de proporciones modestas y no presenta grandes ornamentos, posiblemente debido a la repentina e inesperada muerte del joven soberano, que obligó a preparar precipitadamente su mausoleo. No obstante, sus cuatro salas (la antecámara, la cámara del tesoro, la cámara sepulcral y el anexo) contenían intacto el ajuar funerario completo del faraón, y constituyen por ello un inapreciable tesoro arqueológico. El equipo de Howard Carter empleó diez años en catalogar más de cinco mil piezas, desde los objetos más sencillos y cotidianos hasta los adornos más exquisitos.

Tumba de Tutankamón
Las paredes de la cámara sepulcral eran las únicas que estaban decoradas con pinturas referentes al ritual funerario y al entierro del monarca. La antecámara contenía multitud de estatuas de animales que flanqueaban tres lechos de madera dorada: dos vacas que representan a Meheturet, diosa egipcia de la fecundidad, dos efigies de la leona Mehet y una figura de Anmut con cuerpo de guepardo y cabeza de hipopótamo. A ambos lados de la puerta de la cámara funeraria, como si fuesen centinelas, aparecían sendas estatuas de madera que representan en realidad al mismo faraón. Había además arcas pintadas con incrustaciones, vasos de alabastro y otros objetos.
De hecho, tanto la antecámara como la cámara del tesoro y el anexo se hallaban repletos de los innumerables y valiosísimos enseres que componían el ajuar funerario del faraón, dispuestos en un desorden y abigarramiento semejantes al de un trastero; tal revuelo y el hecho de que los sellos de la entrada estuviesen rotos ha llevado a suponer que la tumba sobrevivió a por lo menos un intento frustrado de saqueo.
Uno de los muebles más preciosos era el trono, recubierto de oro y piedras preciosas, con patas de león y serpientes aladas sobre los brazos. Otra pieza excepcional la constituye, entre los muebles, un arca de madera estucada; su superficie está adornada con escenas del faraón en lucha contra el caos, contra los enemigos y contra los animales de la estepa. De gran calidad artística son también los carros, arreos de caballos y bastones de mando. Un armario guardaba dos de estos últimos, uno en oro y otro en plata, primorosamente cincelados.

Trono de Tutankamón
La cámara sepulcral estaba toda ella ocupada por un gigantesco armario o capilla de madera recubierta de oro, que se introdujo desmontada y que contenía otras tres encajadas en su interior, también de madera y oro. En el espacio comprendido entre las paredes y la capilla se encontraban los remos que servían para navegar por el más allá y otros objetos. Delante de las puertas de las capillas se depositó un vaso de perfume de alabastro, con aplicaciones de oro y marfil.
Dentro de la última capilla se hallaba un gran ataúd de cuarcita con tapa de granito rojo, que contenía también en su interior otros tres sarcófagos encajados. El último de ellos, de oro macizo, conservaba el cadáver momificado del faraón, con el rostro cubierto con un máscara de oro con incrustaciones de cornalina, lapislázuli, turquesas y otras piedras preciosas; por lo general, se piensa que tal máscara constituye un retrato idealizado del difunto. En los vendajes de la momia se habían depositado numerosas joyas y amuletos.
Todos los tesoros encontrados en la tumba se encuentran en la actualidad en el Museo de El Cairo, y su contemplación requiere varias horas al visitante, incluso para un examen superficial; considerando la escasa importancia histórica del breve reinado de Tutankamón y su prematura muerte, produce vértigo imaginar lo que se habría hallado en las tumbas de los grandes faraones de no haber caído en manos de los saqueadores.
La maldición de Tutankamón
Con todo, el descubrimiento de la tumba de Tutankamón fue uno de los grandes hitos de la historia de la arqueología, y sin duda el más mediático. La amplia resonancia y el interés que despertó en todo el mundo se prolongó artificialmente atribuyendo la muerte del mecenas de la expedición, lord Carnarvon, a «la maldición de Tutankamón», una afortunada invención periodística que pasaría a la literatura de terror y, a partir de La Momia (1932), protagonizada por Boris Karloff, al cine de serie B.

Howard Carter examina el sarcófago de Tutankamón
Es cierto que a la muerte de lord Carnarvon siguió la de otras personas vinculadas directamente o indirectamente con el hallazgo; hacia 1930, la prensa sensacionalista computaba ya veintitrés víctimas de la maldición. Sin embargo, la relación de muchas de ellas con las excavaciones era tangencial o nula, y la causa de su fallecimiento era casi siempre tan corriente como la del propio lord Carnarvon, que había fallecido en abril de 1923 por la infección de una picadura de mosquito. Creado ya un misterio donde no lo había, se buscaron también explicaciones científicas del mismo, y se atribuyeron las defunciones a esporas de hongos u otros tóxicos contenidos en el aire enrarecido de la tumba, obviando el hecho de que Carter y casi medio centenar de personas que participaron directamente en los trabajos seguían vivos.
Resulta irónico que esta morbosa fabulación, alimentada durante años, se originase precisamente en un descubrimiento egiptológico. A diferencia de las necrópolis de otras civilizaciones, en que se emplearon como estrategia disuasoria, las tumbas egipcias carecen de inscripciones destinadas específicamente a execrar a los sacrílegos. Por lo demás, casi cinco mil años de expolios y profanaciones (no sólo de aventureros y arqueólogos occidentales: los súbditos de todo recién enterrado faraón fueron siempre los primeros en intentarlo) no han dejado noticia alguna de venganzas de ultratumba anteriores a la de Tutankamón.

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